06-Bhaimi Ekadasi.
(Extraído
do livro: Ekadasi, o dia do Senhor Hari. de
S.S.Krishna Balarama Swami).
Maharaja Yudhisthira disse:
-Ó Senhor
dos senhores, Sri Krishna, todas as glórias a Você! Ó mestre do universo,
unicamente Você é a causa do aparecimento dos quatros tipos de entidades vivas
- Aquelas que nascem de ovos, aquelas que nascem da transpiração, aquelas que
nascem de sementes e aquelas que nascem de embriões. - Somente Você é a causa
básica de todos, e, portanto, Você é o criador, mantenedor e o destruidor.
Meu
Senhor, Você explicou tão bondosamente para mim o dia auspicioso do Sat Tila
Ekadasi, o qual ocorre durante o quarto minguante do mês Magha
(janeiro/fevereiro), agora, por favor, explique sobre o Ekadasi que ocorre
durante o quarto crescente deste mesmo mês. Com que nome ele é conhecido? Qual
o processo para observá-lo? Qual é a deidade que deve ser adorada neste dia
sublime? O qual é muito querido para Você. O Senhor Sri Krishna
respondeu:
-Ó
Yudhisthira, Eu falarei com alegria para você, sobre o Ekadasi que ocorre
durante o quarto crescente do mês Magha. Este Ekadasi destrói todos os tipos de
reações pecaminosas, e influências demoníacas que afetam a alma espiritual. Ele
também é conhecido como Jaya Ekadasi e a alma afortunada que observa o jejum
neste dia, alivia-se do grande peso da existência fantasmagórica. Desta
maneira, não há Ekadasi melhor do que este, pois ele concede a liberação do
ciclo de nascimentos e mortes. Ele deve ser honrado muito cuidadosamente.
Assim, Eu lhe peço que Me ouça muito atentamente enquanto explico o maravilhoso
episódio histórico relativo a este Ekadasi, o qual Eu já narrei anteriormente
no Padma Purana, ó Pandava!
Muito,
muito tempo atrás nos planetas celestiais, o senhor Indra governava o seu reino
mui tranqüilamente e todos os semideuses, viviam ali muito felizes e contentes.
Na floresta Nandana, a qual estava belamente decorada com flores parijata,
Indra bebia Ambrósia a vontade e desfrutava do serviço
de cinqüenta milhões de apsaras (donzelas celestiais), as quais dançavam para o
seu bel prazer.
Muitos
gandhavas (cantores e músicos celestiais), liderados por Puspadanta, cantavam a
doce voz além de comparação. Citrasena, o líder dos músicos de Indra, estava
ali na companhia de sua esposa Malini, e de seu belo filho Malyavam. Uma apsara
de nome Puspavati encantou muito Malyavam; realmente, as flechas afiadas de
cupido (nota 1) perfuraram o âmago do seu coração. O
belo corpo e compleição, junto com os movimentos encantadores das sobrancelhas
de Puspavati, cativaram Malyavam.
Ó rei,
ouça enquanto descrevo a beleza esplêndida de Puspavati: Ela tinha braços
graciosos e incomparáveis, os quais podiam abraçar um homem como um fino laço
de seda; sua face assemelhava-se à lua cheia; seus olhos de lótus chegavam
quase até as orelhas, as quais estavam adornadas com maravilhosos brincos; seu
pescoço ornamentado era fino e assemelhava-se a um búzio; sua cintura era muito
esguia e da largura de um punho; seus quadris eram largos e suas coxas eram
como troncos de bananeiras; seus aspectos naturalmente belos estavam
complementados pelos magníficos ornamentos e roupas; seus seios eram
arrebitados e olhar seus pés, era como contemplar lótus vermelhos recém
desabrochados.
Vendo
Puspavati em toda sua beleza celestial, Malyavam logo se apaixonou. Eles tinham
vindo com outros músicos e dançarinos, para agradar o senhor Indra por meio do
canto e da dança envolvente. Mas, devido a eles terem se enamorado um pelo
outro, com o coração trespassado pelas flechas do cupido, a luxúria
personificada, eles estavam completamente incapazes de cantar e dançar
apropriadamente, perante o senhor e mestre dos reinos celestiais. A pronúncia
deles e o ritimo descompassado fizeram o senhor Indra compreender a causa dos
erros de imediato. Ofendido pela execução musical desafinada, Indra ficou muito
irado e gritou bem alto:
-Seus
tolos inúteis! Vocês pretendiam cantar para mim estando na letargia da paixão
um pelo outro? Vocês me ridicularizaram! Eu amaldiçôo vocês dois a sofrerem a
partir de agora como pisaca (duende do mal). Como marido e mulher vão para as
regiões terrestres e colham as reações de suas ofensas.
Emudecidos
por essas palavras ásperas, Malyavam e Puspavati logo ficaram tristes e caíram
da bela floresta Nandana no reino celestial, para um pico dos Himalaia aqui no
planeta terra. Imensuravelmente tristes e com suas inteligências celestiais
vastamente diminuídas pelos efeitos da poderosa maldição de Indra, eles
perderam todo senso de paladar e olfato e até mesmo o sentido do tato. Estava
tão frio naquele deserto de neve e gelo nos Himalaia, que eles nem podiam
desfrutar do alívio do sono.
Perambulando
desamparadamente de lá para cá e de cá para lá naquela altitude desagradável,
Malyavam e Puspavati sofriam mais e mais a cada momento. Embora eles estivessem
abrigados em uma caverna, devido à nevasca incessante e ao frio seus dentes
batiam sem parar, e seus cabelos estavam arrepiados devido ao medo e espanto.
Nesta
situação totalmente desesperadora, Malyavam disse para Puspavati: -Que
pecados abomináveis nós cometemos para ter que sofrer nesses corpos de pisaca e
neste ambiente hostil e inabitável? Isto é absolutamente infernal! Embora o
inferno seja muito feroz, o sofrimento que estamos passando aqui é ainda mais
severo. Portanto fica bem claro que ninguém deve cometer qualquer pecado.
E então
os amantes desamparados arrastaram-se progredindo na neve e gelo. Entretanto,
devido à boa-fortuna deles, aconteceu de que aquele mesmo dia era o Jaya
Ekadasi, o Ekadasi do quarto crescente do mês Magha. Devido à miséria por que
passavam, eles negligenciaram de beber água, matar alguma caça e até mesmo de
comer as frutas e folhas disponíveis naquela altitude, eles observaram
inconscientemente o Ekadasi jejuando completamente de todo tipo de alimento e
bebida. Absortos na miséria, Malyavam e Puspavati desmaiaram sob uma árvore
pipal, conhecida como figueira dos pagodes, e nem sequer tentaram se levantar.
O sol
tinha se posto naquela mesma hora.
A noite
foi ainda mais fria e miserável do que o dia. Eles tremiam na gélida nevasca e
seus dentes batiam em uníssono e quando ficaram entorpecidos, eles se abraçaram
mutuamente para manterem-se aquecidos. Preso um pelo braço do outro, eles não
puderam gozar nem do sono nem do sexo. Assim eles sofreram durante toda noite
devido à poderosa maldição de Indra.
Mesmo
assim, ó Yudhisthira, pelos méritos alcançados com o jejum que eles tinham
observado por acaso no Bhaimi Ekadasi, e devido a que eles permaneceram
despertos por toda noite, eles foram maravilhosamente abençoados. Ouça por
favor, o que aconteceu no dia seguinte; assim que amanheceu no Dvadasi,
Malyavam e Puspavati tinham abandonado suas formas demoníacas e eram novamente
belos seres celestiais, usando ornamentos brilhantes e roupas exóticas.
Enquanto eles se olhavam mutuamente surpresos, um aeroplano celestial (vimana)
chegou ao local. Um coro de habitante celestial cantava suas glórias, enquanto
o casal subia na bela aeronave e seguiam diretamente para as regiões
celestiais, saudados pelas boas vindas de todos. Rapidamente Malyavam e
Puspavati chegaram a Amaravati, a capital do senhor Indra. Eles imediatamente
se apresentaram a seu senhor e ofereceram a ele com alegria suas reverências.
O senhor
Indra ficou atônito, ao ver que eles tinham sido restaurados a suas formas e
status originais, tão logo após terem sido amaldiçoados a sofrer como demônios,
muito, muito abaixo do reino celestial. Indra então perguntou a eles:
-Que
feitos extraordinariamente meritórios vocês executaram para que pudessem
abandonar seus corpos de pisaca tão rapidamente após eu ter amaldiçoado
vocês? Malyavam respondeu:
-Ó
senhor, foi pela misericórdia da Suprema Personalidade de Deus, o Senhor
Vasudeva, e também pela influência poderosa do Jaya Ekadasi, que fomos
aliviados da nossa condição sofredora como pisaca. Esta é a verdade, ó mestre;
porque nós executamos serviço devocional ao Senhor Vishnu, jejuando no Ekadasi,
o dia mais querido para Ele, nós recuperamos alegremente nosso status anterior.
Indra disse:
-Porque
vocês serviram ao Supremo Senhor Kesava, através de seguir o Ekadasi, vocês
tornaram-se adoráveis até mesmo por mim e eu posso ver que agora, vocês estão
completamente purificados do pecado. Quem quer que se ocupe em serviço
devocional ao Senhor Sri Hari, ou ao senhor Shiva, torna-se digno de ser
adorado até mesmo por mim. Quanto a isto não há dúvida. O senhor Indra então
deu a Malyavam e a Puspavati, toda liberdade de desfrutarem um do outro e a
movimentarem-se em seu planeta celestial.
Ó
Yudhisthira, portanto deve-se observar estritamente o jejum do dia do Senhor
Hari, especialmente no Bhaimi Ekadasi, o qual liberta a pessoa até mesmo do
pecado de matar um brahmana duas vezes nascido. A grande alma que observa este
jejum com toda fé e devoção, já deu todos os tipos de caridades; executou todos
os tipos de sacrifícios e banhou-se em todos os
lugares santos de peregrinação. Jejuar no Jaya Ekadasi qualifica a pessoa a
residir em Vaikunta e gozar de felicidade sem fim por bilhões de yugas, de
fato, para sempre. Ó grande rei, até mesmo aquele que ouve ou lê estas glórias
do Bhaimi Ekadasi, alcança o mérito que é obtido pela execução de um sacrifício
Agnistoma, durante o qual os hinos do Sama veda são recitados.
Assim
termina a narração das glórias do Magha sukla Ekadasi, Bhaimi ekadasi, também
conhecido como Jaya Ekadasi, do Bhavisya Uttara Purana.
-NOTA-
Nota 1 Kamadeva, a luxúria
personificada, tem cinco nomes de acordo com o dicionário Amara kosa:
Nome 1 Kandarpa ou
cupido, no Bhagavad Gita (10.28) Sri Krishna diz: “Dentre as causas da
procriação, Eu sou Kandarpa”. A palavra Kandarpa também
significa "muito belo." Kandarpa apareceu como um dos
filho de Krishna em Dvaraka chamado de Pradyunma.
Nome 2 Darpaka, aquele que pode prever o futuro - Este nome
indica que cupido pode saber o que acontecerá e prevenir este acontecimento.
Especificamente, ele tenta impedir a atividade espiritual pura, por controlar a
mente de alguém o forçando a ocupar-se no gozo dos sentidos.
Nome 3 Ananga, que não tem corpo físico. Certa vez, quando cupido
perturbou a meditação do senhor Shiva, este poderoso semideus reduziu cupido a
cinzas. Mesmo assim, Shiva deu ao cupido a benção de que ele poderia agir no
mundo, mesmo sem um corpo físico.
Nome 4 Kama, a luxúria personificada, no Bhagavad Gita (7.11) O
Senhor Sri Krishna diz: "Eu sou a vida sexual que não é contrária aos
princípios religiosos”.
Nome 5 Panca Saraih, aquele que porta cinco tipos de flechas. As
cinco flechas com as quais o cupido perfura a mente das entidades vivas são: o
sabor; o tato; o som; o olfato e a visão. Estes são os cincos nomes de cupido,
o qual encanta todas as entidades vivas e faz com que elas executem o que ele
quer. Sem a misericórdia do Guru autêntico e de Krishna, a pessoa não pode
resistir ao seu poder.
-FIM-
Tradução:
Ananya Bhak Dasa (Zuza Lee)
Correção 1: Apsarini Devi Dasi (Paula Burlamaqui)
Correção 2: Ananda Maya Devi Dasi (Alina Barrios Duran)
Digitação
e fidelidade: Paramahamsa Dasa (Paulo J.G. dos Santos)
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