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Aparecendo
como o filho de um rei, SRI NAROTTAMA DASA THAKURA (Sri Thakura Mahasaya) mostrou todos
sintomas corpóreos de um mahapurusha (pessoa divina
exaltada). Tinha longos braços, um umbigo profundo, tez dourada, belos olhos em
forma de lótus. Na escola, era um shruti dhara (capaz de memorizar o que ouvisse). Embora
rapidamente tivesse dominado o sânscrito e os Vedas, ele ansiava por servir Krishna. Era um brahmachari vitalício.
Pela
misericórdia do santo nome Gaura-Nitai, Narottama se tornou desapegado, deixou sua opulenta
família, e correu para Vrindavana. Tomou diksha de Sri Lokanatha Goswami e shiksha na filosofia Gaudiya de Sri Jiva Goswami.
Quando chegou
em Navadvipa-dhama todos devotos indagaram dele
acerca da saúde e atividades dos Goswamis em Vrindavana. Estavam ansiosos por ouvir notícias sobre Vrindavana. Após visitar todos locais de passatempos de Gauranga na Gaura Mandala, Narottama Dasa fez o mesmo em Kshetra Dhama (Jagannatha Puri). Depois ele foi ver os devotos e locais de
passatempos de Sri Chaitanya em Santipura,
Sri Khanda, Kanthak Nagar, Ekachakra, e Kheturi Gram.
Em Kheturi, Sri Narottama Dasa Thakura organizou o famoso Kheturi Mahotsava. Este foi o
primeiro festival “Gaura Purnima”
para honrar o divino dia do aparecimento de Sri Krishna
Chaitanya Mahaprabhu.
Durante o festival foram instaladas seis Deidades: Sri Gauranga
Deva, Sri Vallabhi Kanta,
Sri Vraja Mohana, Sri Krishna, Sri Radha Kanta, Sri Radha Ramana.
Com sua doce
voz Narottama Dasa começou
um maravilhoso kirtana. Seu cantar enchia os céus, e
fez cair lágrimas de prema dos olhos dos devotos, que estavam todos se
divertindo no oceano de êxtase. “No meio do kirtana deles, o próprio munificente Sri Chaitanya e todos Seus associados pessoais apareceram e se
juntaram ao sankirtana. Como um brilho do relâmpago
em meio a uma massa de belas nuvens azuis, o próprio Sri Chaitanya
apareceu na multidão de devotos através de uma manifestação divina. (Bhakti-ratnakar)
“Naquela
ocasião, embora Mahaprabhu tivesse deixado este mundo
anos atrás, muitos diferentes devotos viram Mahaprabhu
de diferentes maneiras. Aqueles de Navadvipa-dhama viram-No mais intimamente como Nimaichandra
ou Visvambhara, conforme O havia conhecido em Sua
juventude. Aqueles devotos estavam atraídos por Mahaprabhu
em sakhya e vatsalya rasa.
Os seguidores dos seis Goswamis, que só O conheciam
como um sannyasi, relacionavam-se com Ele no humor de
dasya rasa. E centenas de devotos também adoravam o
Senhor Chaitanya no humor de aisvarya
de temor e reverência.
Este festival
é considerado um importante acontecimento no Gaudiya Vaisnavismo. Centenas e centenas de devotos foram
convidados, incluindo discípulos diretos de Mahaprabhu,
Nityananda Prabhu, e Advaita Acharya. Nessa época,
existiam muitas diferenças na interpretação do Gaudiya
Vaisnavismo. Acharyarani Jahnava Devi veio de Kardaha com
seu séqüito. Presidindo sobre todos Vaisnavas, ela
resolveu suas diversas conclusões numa só filosofia Gaudiya
Vaisnava consistente.
Pela primeira
vez, o festival apresentou muitos estilos de kirtana
que integravam a glorificação do Senhor Chaitanya com
a glorificação do Senhor Krishna e Seus passatempos.
E porque tantos Vaisnavas estavam presentes num só
local, automaticamente isso tornou o festival de Kheturi
extraordinário. Também atuou como um importante passo rumo à unificação de
todos Gaudiya Vaisnavas.” (Sri Navadvipa-dhama parikrama)
Narottama Dasa Thakura
escreveu muitas canções devocionais sobre o mestre espiritual,
os devotos, serviço devocional, os seis Goswamis, Gaura-Nityananda e Radha-Krishna. Embora compostas em simples idioma bengali,
as canções de Narottama Dasa
dão siddhanta shastrico e
inspiração devocional. Srila
Prabhupada freqüentemente cantava estes bhajans. Considerando-os não diferentes do shastra védico, ele os citava em suas palestras sobre o Bhagavatam. Prarthana e Prema-bhakti-chandrika são as obras mais famosas de Narottama.
O seguinte
texto foi extraído do Prema-bhakti-chandrika: “Radha e Krishna
são minha meta de vida e morte, e Eles são os donos de minha respiração.
Realizando meu bhajana apenas para Eles, alço-me e
desço no oceano de prema. Oro para que eu possa sempre manter esta concepção em
meu coração como meu mais alto ideal.
Deixe-me
servir os pés de lótus de Radha-Govinda. Que minha
mente seja preenchida pela dedicação a Suas divinas formas que derrotam a
beleza de Cupido e Rati. Com uma palha entre meus
dentes, caio a Seus divinos pés e apresento meu humilde apelo: “Ó Kishora-Kishori! Ó filho de Nanda Maharaja – Shyamasundara! E ó filha do Rei Vrshabhanu,
Sri Radha. Encantais até mesmo Hari,
e Tua tez corpórea é da cor do lótus dourado. Ó Krishna,
com uma cor como da jóia indranila (gema azul) Tua
beleza zomba de Cupido.
Ó maiores
dentre os dançarinos – Sri Radha e Sri Krishna – por favor dancem dentro
de minha mente. Ó Vós cuja beleza aumenta o encanto de Vossos deslumbrantes
ornamentos, dia e noite só desejo que eu possa continuar a cantar Vossas
glórias em grande êxtase.””
Narottama Dasa serve Srimati Radhika como Chamaka-manjari. Seu samadhi fica
no pátio do templo de Radha Gokulananda.
(26,96)
Agradecimentos especiais ao Jaya
Gokula prabhu e seu grupo
de Suzano
que gentilmente nos deu uma cópia dessas maravilhosas
biografias.